O carro que ainda não existe
Por que as montadoras gastam milhões em carros conceito que nunca vão vender?
IMAGEM GERADA POR IATodo salão do automóvel tem aquele carro que para o público: baixo, largo, com faróis que parecem de outro planeta e um interior que mais lembra uma nave. Quase sempre é um carro conceito. E quase sempre ele nunca vai chegar a uma concessionária.
Então por que as montadoras continuam fazendo isso — e gastando tanto?
Um protótipo de ideias, não de vendas
Carro conceito é um protótipo de ideias. Ele existe para testar design, tecnologia e a reação do público antes que a marca coloque bilhões numa linha de produção. Não tem preço de etiqueta porque não foi feito para ser vendido.
E não é barato. Em reportagem do jornal canadense The Globe and Mail, um designer da Mercedes-Benz disse que o custo de um conceito pode chegar a milhões de euros. O diretor de design da BMW, Adrian van Hooydonk, preferiu não dar número, mas resumiu: é "muito mais caro do que comprar um Série 7".
IMAGEM GERADA POR IA1938: onde tudo começou
O Buick Y-Job, de 1938, é considerado o primeiro carro conceito da história. Foi desenhado por Harley Earl, o chefe de estilo da General Motors — que, segundo o Audrain Automobile Museum, usava o carro no dia a dia.

O Y-Job estreou soluções que só virariam comuns décadas depois:
- Faróis escondidos
- Maçanetas embutidas na carroceria
- Vidros com acionamento elétrico
- Direção assistida, que outros carros só ofereceriam nos anos 1950
Motivo 1: um laboratório sobre rodas
Muitos conceitos existem para provar que uma tecnologia funciona fora do papel. O melhor exemplo recente é o Mercedes-Benz Vision EQXX, um elétrico criado para levar a eficiência ao limite.
Em 5 de abril de 2022, o Vision EQXX saiu de Sindelfingen, na Alemanha, e chegou a Cassis, na França, com uma única carga — com consumo médio de 8,7 kWh a cada 100 km, segundo a Mercedes-Benz.
O carro não foi feito para venda, mas o que a marca aprende com ele — aerodinâmica, gestão térmica da bateria, software de eficiência — acaba indo para os carros de série.
Motivo 2: o termômetro do público
Outros conceitos servem para medir a temperatura. Se o público ama, o projeto ganha força dentro da empresa.
Foi o caso do Hyundai Concept 45, apresentado no Salão de Frankfurt de 2019. Inspirado no Pony de 1974 — o primeiro carro desenvolvido pela própria Hyundai —, ele virou a base do Ioniq 5, revelado em 2021 com um desenho muito próximo ao do conceito.
Todo carro que você ama já foi um rabisco num estúdio.
Do rabisco à rua
IMAGEM GERADA POR IAEntre o esboço e a concessionária, o caminho passa por desenhos, modelos de argila em escala real, túnel de vento e muito teste. O conceito é a parte desse processo que a marca decide mostrar para o mundo.
Da próxima vez que você vir um carro "impossível" num salão, olhe com atenção: alguma coisa ali pode estar na sua garagem daqui a alguns anos.
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